{"id":1044,"date":"2019-05-30T03:10:17","date_gmt":"2019-05-30T03:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vigilanterodoviario.com.br\/retro\/?p=1044"},"modified":"2019-10-15T03:10:35","modified_gmt":"2019-10-15T03:10:35","slug":"entrevista-de-dede-santana-os-trapalhoes-para-o-cineset","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vigilanterodoviario.com.br\/retro\/entrevista-de-dede-santana-os-trapalhoes-para-o-cineset\/","title":{"rendered":"Entrevista de Ded\u00e9 Santana (Os Trapalh\u00f5es) para o CINESET"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ded\u00e9 Santana<\/strong> \u2013 Tive o <strong>Ary Fernandes<\/strong> (diretor e produtor da s\u00e9rie \u201cO Vigilante Rodovi\u00e1rio\u201d) como um dos meus professores de cinema. No come\u00e7o, por\u00e9m, eu n\u00e3o podia assinar os filmes por n\u00e3o ter o registro profissional desta fun\u00e7\u00e3o. Meu sonho sempre foi mais dirigir do que atuar&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Durante mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, os \u201cTrapalh\u00f5es\u201d dominaram a com\u00e9dia brasileira na televis\u00e3o e no cinema. Respons\u00e1veis pela divers\u00e3o de crian\u00e7as e adultos, o grupo formado por Didi, Ded\u00e9, Mussum e Zacarias lotou as salas de exibi\u00e7\u00e3o do Brasil inteiro.<\/p>\n<p>A trupe possui quatro filmes com mais de 5 milh\u00f5es de espectadores \u2013 \u201cO Trapalh\u00e3o nas Minas do Rei Salom\u00e3o\u201d (1977), \u201cOs Saltimbancos Trapalh\u00f5es\u201d (1981), \u201cOs Trapalh\u00f5es nas Guerras dos Planetas\u201d (1981) e \u201cOs Trapalh\u00f5es na Serra Pelada\u201d (1982).<\/p>\n<p>Em passagem por Manaus, a grande \u2018escada\u2019 do humor nacional, Ded\u00e9 Santana conversou com Danilo Areosa e Ivanildo Pereira relembrou os tempos de dom\u00ednio nos cinemas nacionais e curiosidades sobre os bastidores dos filmes que marcaram \u00e9poca.<br \/>\nConfira abaixo nesta conversa exclusiva: <\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Vamos iniciar falando da pe\u00e7a \u201cPalha\u00e7os\u201d. Como voc\u00ea se envolveu com esta tragicom\u00e9dia?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Quando o Alexandre Borges me convidou para participar, pensei que ia ter um picadeiro, palha\u00e7ada. Pensei: \u2018que legal, fui palha\u00e7o com sete anos de idade. Vai ser legal\u2019. Assim que o texto chegou, eu realmente me assustei. Era o outro lado do palha\u00e7o, mas, como j\u00e1 tinha dado minha palavra, topei fazer. Desde o in\u00edcio at\u00e9 hoje est\u00e1 sendo um desafio muito grande faz\u00ea-lo. J\u00e1 fiz muito teatro na minha vida, mas, este tipo de espet\u00e1culo \u00e9 a primeira vez.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Sua carreira come\u00e7ou no circo ainda garoto. De que forma a pe\u00e7a se relaciona com a sua vida?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Todo palha\u00e7o \u00e9 triste. Esta \u00e9 uma verdade e, na pe\u00e7a, o meu personagem Careta \u00e9 um sujeito bastante sofrido, foi abandonado pela mulher. Na vida real, tamb\u00e9m sofri perdas muito do\u00eddas, mas, precisei esquecer momentaneamente para estar no palco, afinal, o espet\u00e1culo n\u00e3o pode parar. Ali\u00e1s, este \u00e9 o lema do artista circense. Pode a irm\u00e3 cair do trap\u00e9zio, se arrebentar no ch\u00e3o, a ambul\u00e2ncia vir, mas, o palha\u00e7o tem que continuar.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 E como o circo o ajudou nos Trapalh\u00f5es?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Vou dizer uma coisa: tenho muito orgulho de ter levado o humor circense para a televis\u00e3o. O Renato Arag\u00e3o escreve muito bem, mas, eu pegava o que ele fazia e misturava com as coisas do palha\u00e7o de circo. Com isso, n\u00f3s fomos fazendo aquelas brincadeiras de cair no ch\u00e3o, dar tapa, escorregar. Isso n\u00e3o existia na televis\u00e3o: naquela \u00e9poca, o humor era muito de r\u00e1dio. O pr\u00f3prio Chico Anysio vinha da r\u00e1dio e o humor dele era mais falado, enquanto fomos para um humor mais f\u00edsico. At\u00e9 o Caetano Veloso fez uma m\u00fasica para gente brincando com isso chamada \u2018Jeito de Corpo\u2019.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Voc\u00ea \u00e9 um \u00edcone do cinema nacional, os Trapalh\u00f5es dominaram as bilheterias por d\u00e9cadas. Conte como foi o in\u00edcio da trajet\u00f3ria de voc\u00eas.<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Tudo come\u00e7ou com a dupla Ded\u00e9 &#038; Didi. Mussum e Zacarias entraram 10 anos depois e sete filmes sucessos de bilheteria nas costas antes dos Trapalh\u00f5es. J\u00e1 tinha vindo at\u00e9 a Manaus por causa destes projetos. O primeiro sucesso foi \u201cNa Onda do I\u00ea-I\u00ea-I\u00ea\u201d (1966) em que faz\u00edamos dois ajudantes do mec\u00e2nico. Fizemos outros como \u201cAli Bab\u00e1 e os 40 Ladr\u00f5es\u201d (1972) e \u201cAladdin e a L\u00e2mpada Maravilhosa\u201d (1973). Desta fase inicial, um dos mais engra\u00e7ados e um dos meus preferidos \u00e9 \u201cRobin Hood: O Trapalh\u00e3o das Flores\u201d (1974).<\/em><\/p>\n<p><strong>Cine Set \u2013 Como foi a experi\u00eancia de dirigir alguns dos filmes dos Trapalh\u00f5es? Era dif\u00edcil comandar uma equipe marcada sempre pela capacidade enorme de improvisa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Ded\u00e9 Santana \u2013 Tive o Ary Fernandes (diretor e produtor da s\u00e9rie \u201cO Vigilante Rodovi\u00e1rio\u201d) como um dos meus professores de cinema. No come\u00e7o, por\u00e9m, eu n\u00e3o podia assinar os filmes por n\u00e3o ter o registro profissional desta fun\u00e7\u00e3o. Meu sonho sempre foi mais dirigir do que atuar. Acabei comandando um dos mais comentados filmes nossos, \u201cOs Trapalh\u00f5es e O M\u00e1gico de Or\u00f3z\u201d (1984). Em \u201cOs Saltimbancos Trapalh\u00f5es\u201d (1981), toda parte americana fui eu que dirigi. O primeiro filme que a Xuxa fez conosco tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p>Sempre brinco que nenhum diretor nos dirigiu. No meu caso, eu mais os guiava do que qualquer outra coisa. Por exemplo: eu orientava o Mussum de que, em determinado momento, ele precisava estar atr\u00e1s do sof\u00e1 porque o Renato vinha de l\u00e1 e o Zacarias ficaria aqui. Perguntava: \u2018t\u00e1 legal?\u2019. Respondiam: \u2018t\u00e1\u2019 e j\u00e1 gravava. Quase sempre, no m\u00e1ximo, no segundo take, j\u00e1 estava feito.<\/p>\n<p>De todos os projetos, o mais dif\u00edcil foi \u201cOs Trapalh\u00f5es no Reino da Fantasia\u201d (1985) pelo fato de termos apenas 17 dias para fazer tudo. A Xuxa tamb\u00e9m deu muito trabalho porque ela queria fazer todas as cenas perigosas e eu dizia que n\u00e3o pelo risco dela se machucar.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Mas, o senhor gostava de fazer as cenas perigosas, n\u00e3o? Chegou at\u00e9 ter acidentes graves.<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 V\u00e1rios, v\u00e1rios. Como era palha\u00e7o de circo, j\u00e1 tinha feito todo tipo de estripulia. Al\u00e9m disso, o dubl\u00ea do Didi trabalhou comigo no picadeiro. Isso ajudou neste desafio de fazer estas cenas, mas, n\u00f3s passamos diversos apertos.<\/p>\n<p>Em \u201cSimbad, O Marujo Trapalh\u00e3o\u201d (1976), n\u00f3s t\u00ednhamos de subir uma chamin\u00e9 de 25 metros, por\u00e9m, no meio do caminho, os ferrinhos da escada come\u00e7aram a quebrar. N\u00f3s olh\u00e1vamos para baixo e fal\u00e1vamos: \u2018Meu Deus\u2019! Decidimos subir at\u00e9 o final mesmo assim. Quando chegamos no topo, os tijolos da estrutura come\u00e7aram a cair. Passamos a tarde na chamin\u00e9. Foi preciso o Corpo de Bombeiros para retirar a gente de l\u00e1. O diretor n\u00e3o gostou nada (risos).<\/p>\n<p>J\u00e1 em \u201cOs Trapalh\u00f5es e o Rei do Futebol\u201d (1986), filme que fizemos com o Pel\u00e9, pulei da \u00e1rvore achando que n\u00e3o tinha nada. Acabei caindo em duas pedras. Rachei os dois calcanhares. Passei o resto das filmagens engessado. Para n\u00e3o estragar a continuidade, a contrarregra pintou o gesso de preto.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 De todos os filmes que o senhor dirigiu, qual o seu favorito?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 \u00c9 como escolher o filho preferido, mas, tenho uma \u2018quedinha\u2019 pelo \u201cA Filha dos Trapalh\u00f5es\u201d (1984). \u00c9 um filme de circo, trago um pouco da hist\u00f3ria pessoal retratando meu pai e minha m\u00e3e, gosto de mostrar o Natal do circo e \u00e9 o \u00fanico filme em que voc\u00ea vai ver os Trapalh\u00f5es pintados de palha\u00e7o. Ali\u00e1s, tem o momento em que o Didi toca piano em que ele foi magistral.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Como voc\u00ea analisa a com\u00e9dia brasileira na atual, especialmente, no cinema?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Apesar de n\u00e3o acompanhar tanto assim, eu gosto muito do Leandro Hassum, um cara que est\u00e1 arrasando. Ele possui algo que o Renato tem: a comunica\u00e7\u00e3o com a c\u00e2mera. Parece que ele n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada, mas, quando aparece na tela, \u00e9 impressionante. Isso \u00e9 raro. Acho a Ingrid Guimar\u00e3es \u00f3tima tamb\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Quem o senhor considera como um disc\u00edpulo do estilo Ded\u00e9 Santana?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Eu n\u00e3o me considero comediante. Acho que sou mais ajudante do palha\u00e7o (risos). Ser \u2018escada\u2019 \u00e9 muito dif\u00edcil porque voc\u00ea precisa estar sempre adaptando a piada para cada humorista. Imagina fazer isso com tr\u00eas caras completamente diferentes?<\/p>\n<p>Dentro disso, talvez, o Lucas Veloso. O filho do Shaolin tem esta mistura de ator com palha\u00e7o de circo. Eu gosto dele.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, gostaria de aproveitar a oportunidade para homenagear o L\u00facio Mauro. Lembro que quando fui fazer o filme alem\u00e3o \u201cLana, a Rainha das Amazonas\u201d, precisei me ausentar do programa que fazia. Ao voltar, n\u00e3o me queriam de volta e o L\u00facio Mauro, o cara da TV na \u00e9poca, disse: \u2018se tirar o Ded\u00e9, eu vou sair\u2019. Retomei meu emprego (risos). Era um sujeito que eu tinha n\u00e3o apenas o respeito art\u00edstico como inspira\u00e7\u00e3o para mim, mas, tamb\u00e9m por ser uma pessoa maravilhosa. Senti muito a morte dele.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Voltando a falar dos Trapalh\u00f5es, preciso admitir que o Zacarias era o meu favorito, mas, vendo os filmes fico impressionado com seu trabalho. Muitas vezes, as piadas funcionavam pela sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 O Zacarias era meu Trapalh\u00e3o favorito tamb\u00e9m (risos). O Zacarias era um grande ator. Ele era um cara que chegava no est\u00fadio, falava bonito e, quando se caracterizava e encarnava o personagem, fazia uma voz, um andar completamente diferente. Era uma outra pessoa. O Mussum era o rei do improviso e eu e o Didi \u00e9ramos os palha\u00e7os.<\/em><\/p>\n<p>Cine Set \u2013 Por fim, h\u00e1 planos para uma nova parceria com o Renato Arag\u00e3o?<\/p>\n<p><em>Ded\u00e9 Santana \u2013 Sim, temos um filme para este ano com um youtuber famoso. Mas, n\u00e3o posso revelar os detalhes ainda.<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia a mat\u00e9ria completa, com imagens, <a href=\"http:\/\/www.cineset.com.br\/entrevista-dede-santana-filmes-trapalhoes\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">aqui<\/a>!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ded\u00e9 Santana \u2013 Tive o Ary Fernandes (diretor e produtor da s\u00e9rie \u201cO Vigilante Rodovi\u00e1rio\u201d) como um dos meus professores de cinema. No come\u00e7o, por\u00e9m, eu n\u00e3o podia assinar os filmes por n\u00e3o ter o registro profissional desta fun\u00e7\u00e3o. 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