A escolha do cão para viver o ‘Lobo’

Por Ary Fernandes

Estava na hora de arranjar o cachorro, sabia que teria que ser um cachorro especial, não poderia ser qualquer um, não para aquilo que eu imaginava. Tinha um amigo chamado Odoacro Gonçalves que era chefe do controle da Guarda Civil, ele me arranjava os carros, ou melhor, as viaturas que precisava.

Ele me disse que tinha um controlador que estava ali comissionado, era soldado da Força Pública e se chamava Luiz Afonso, morava em Suzano e tinha um cachorro muito bonito. Pediu que conversasse com ele. Fui procurá-lo em Suzano. Levamos uma perua e uma motocicleta Harley Davidson pilotada por um guarda rodoviário.

Conheci o cachorro, que se chamava King. Foi amor à primeira vista, adorei o cachorro e acho que ele também gostou de mim, mesmo porque sempre gostei de cachorros, sempre tive cão em casa, tinha jeito para lidar com eles. O nome dele não me agradou, um seriado com um herói genuinamente brasileiro não poderia ter um cachorro chamado King, então mudei seu nome para Lobo, pois era universal, tinha em todas as partes do mundo, inclusive no Brasil temos o lobo-guará.

Perguntei o que o cachorro fazia, Luiz respondeu que ele pulava e sentava e me mostrou, pedindo ao cão que fizesse isso. Perguntei se ele andava na moto, Luiz disse que isso ele nunca havia feito, então conduzi o cachorro até a moto e ele subiu sem que precisássemos mandar.

Lobo era um cão pequeno e cabia na moto, se fosse um pastor normal não caberia, até nisso demos sorte. Comecei a gostar e a achar que havia encontrado o que procurava. Em seguida fizemos o teste com a moto em movimento, pedi ao guarda que saísse bem devagar e ele também foi bem.

Eu fui com o carro atrás filmando o teste. Esse sim seria um material raro se não tivesse se perdido: o teste do Lobo para a série O Vigilante Rodoviário. Bem, Lobo estava aprovado e Luiz Afonso concordou na hora em cedê-lo.

Interessante lembrar que não fiz teste com mais nenhum cachorro, Lobo foi o primeiro e único.